|
Quem conta aumenta um ponto, é o que dizem. De fato não existem história nem estória, não existe narrativa que seja a verdade nem que seja somente ficção. No texto da narrativa há sempre dois universos inteiros que se opõem e se completam: o social e o individual.
O social fornece todos os elementos que sejam conhecimento, e o individual tudo o que for criação. O conhecimento está pronto, coloca-se no mundo a disposição de todos; a criação é a reestruturação do conhecimento numa manifestação única, filtrada pelo corpo físico-intelectual da instância enunciativa. A individualidade gera o novo pelo esforço de revisar o que está pronto: quanto mais ancorado no social for a narrativa, mais verdadeira ela parecerá; quanto mais ancorada na criação enunciativa estiver, mais ficcional parecerá. Os simulacros de verdade social e de ficção passam por todos os processos de veridicção de língua e de linguagem. Certo é que toda história foi contada por alguém de um ponto de vista e sempre pode ser recontada ou revisada, e toda ficção tem de apresentar conhecimento ou será absurda e incompreensível. Vejam assim essa historiografia-linguística de Humboldt, Whitney e Saussure.
|