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Década de 1940. A cidade de Santo André, privilegiada pela proximidade com a capital paulista, vivencia um crescente desenvolvimento urbano. Torna-se a cidade do progresso e do desenvolvimento. Atraídos pelas oportunidades de trabalho que a cidade hipoteticamente oferece, diversas famílias deixam seus estados e passam a configurar o grande crescimento populacional da cidade nas duas décadas seguintes. Esse crescimento, no entanto, parece acontecer de forma alheia às expectativas dos novos habitantes: as oportunidades oferecidas pedem, cada vez mais, especialização e conhecimento que o contingente migratório não consegue oferecer. Vivendo nas então formadas favelas, os habitantes encontram nos lixões e na coleta de materiais recicláveis sua expectativa de sobrevivência. Sergipanos, cearenses, mineiros. Homens, mulheres, idosos. Todos adotam o prefixo ex quando falam de suas vidas: ex-pedreiro, ex-metalúrgico, ex-funcionário registrado. Vivem a realidade de ser catador, carrinheiro, sucateiro, a parcela da população que os governantes gostariam de varrer para debaixo do tapete, aqueles que destoam na vitrine da cidade do desenvolvimento. Em Catadores de lixo. Narrativas de vida, políticas públicas e meio ambiente, esses trabalhadores tomam a palavra para narrar uma realidade sem retoques: quanto ganham por dias exaustivos de trabalho? Como vencem a concorrência da coleta seletiva institucionalizada pela prefeitura? O que esperam do futuro? Perguntas e respostas que constroem a história de uma Santo André paralela, destoante e, até então, posta de lado.
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